20 de maio de 2008

Loucas são as noites...




Depois de mais uma noite de sexta-feira em que a opção do serão se situava entre uma ida ao cinema e uma vinda do cinema até casa, a escolha recaiu entre o visionamento doméstico de um filme do circuito alternativo.

Concluída a sessão nocturna e quando esperava que nada mais acontecesse e que acabasse por ser mais uma calma e solitária madrugada, eis que ouve um barulho familiar. Uma amiga, que já não via há meses, mas com quem, afinal, nunca perdera, de alguma forma, o contacto, enviara-lhe um SMS.

“Estás acordado?”. A resposta dele foi afirmativa e levou a um convite: “Queres ir beber um copo? Estou com uma amiga. Mas é só mesmo para beber um copo. Tens cinco minutos para te vestires”. Afinal de contas, pensou ele, a noite ia ser bem diferente das mais recentes. “E onde me levam?”, ripostou ele, com curiosidade. “Vamos a um bar… diferente. Vamos lá beber um copo e trazemos-te a casa.”

Os cinco minutos passaram a dez, tempo suficiente para ele se vestir convenientemente, fazer a barba e sair de casa. Após novo SMS, desta feita a avisar que o carro das convivas já se encontrava à porta, ele desceu. À saída do prédio, teve, no entanto, um encontro imediato com uma vizinha, que fez um comentário de todo inesperado: “Onde vai o vizinho a esta hora, todo bem vestido? Eu acho que nunca o vi assim tão giro, de fato!” Agradecido o elogio, ele respondeu-lhe: “Se quer que lhe diga, nem eu sei muito bem. Fui convidado ali por aquelas duas senhoras, pelo que estou inteiramente nas mãos delas”, completou, com olhar matreiro.

À chegada ao carro, e após a curta apresentação à pessoa que ele não conhecia (ou melhor, tinha-a conhecido cerca de dois anos antes, numa área de serviço a caminho do Sul do país, apresentado pela amiga), eis que recebeu o primeiro elogio da noite: “De cabelo curtinho, de fato e sem gravata… pareces o Mourinho”. Ele sorriu, corou e retorquiu: “Sim, sim… Somos mesmo parecidos. Oh sim… Começando pela conta bancária…”. E depois desta espécie de lamúria, uma delas ripostou: “Não te queixes. Ao menos, és mais novo e também pareces estar em excelente forma”, piscando o olho.

A conversa foi fluindo até que o carro… parou. E qual não foi o espanto dele quando se viu à porta de um conhecido clube de strip da noite lisboeta. Era o tal “bar diferente” que as duas amigas haviam mencionado na SMS. Ele desceu as escadas até ao estabelecimento e só pensava: “Se me dissessem há uma hora que sairia de casa convidado por duas belas mulheres casadas e seria conduzido a um bar de strip, diria que estariam a brincar”.

Mas não. Não era brincadeira e ele estava ali, com duas mulheres, as únicas duas mulheres que não estavam a trabalhar e que, por isso, eram o alvo da cobiça dos restantes homens que lotavam o espaço. Tudo para ele era novidade, quanto mais não fosse porque nunca estivera em espaços assim. Inicialmente, sentaram-se os três numa mesa perto da “passerelle”, mas com uma vista de baixo para cima, uma perspectiva interessante para se reparar em determinados detalhes. Todavia e após os shows de duas bailarinas, mudou-se de mesa, para a parte de fumadores e onde estavam as restantes pessoas, que deitaram um olhar bastante guloso à passagem dos dois belos exemplares do sexo feminino que pareciam a guarda de amazonas do rapaz.

Depois de alguns minutos, eis que uma dançarina se aproxima da mesa. “Apresento-te a Mia, uma dançarina que conhecemos há uns tempos”, disse-lhe uma das amigas. Feitas as apresentações, uma das mulheres passa uns instantes a segredar com Mia, uma nordestina na casa dos 30 anos e com cerca de 1,75 metros de estatura, que, depois, olhou para ele com um olhar e sorrisos maliciosos, algo que o fez pressentir que alguma coisa de… diferente ia acontecer.

Entretanto, ele recebera uma mensagem no telemóvel e preparava-se para responder, quando Mia lhe tirou o telefone da mão e o pousou na mesa. “Gato, você agora não vai precisar disso e vai prestar muita atenção”, disse, com uma voz dengosa. E, sem que desse grande tempo de reacção, sentou-se ao lado dele, começando por acariciar-lhe o cabelo e tirando-lhe o casaco e, logo de seguida, o cinto das calças, o que o levou a pensar: “Mas, afinal, o ‘strip’ aqui é de quem?”.

Deambulava ele por pensamentos existenciais, quando Mia lhe disse: “Isto é só para deixá-lo mais à-vontade”. Ele, entretanto, apoiara as mãos de lado, no fundo do sofá, pois estava ciente tocar na bailarina vai contra as normas de estabelecimentos do género e, porque, ao fazê-lo, não cairia em eventuais tentações. Mesmo ele, que costuma ser muito controlado em situações nas quais, porventura, nem perderia nada em não sê-lo. E tudo isto, tendo passado ele (e a bailarina) a ser o alvo de todas as atenções, começando pelos divertidos olhares das suas amigas e pela inveja dos restantes, os quais, entretanto, viraram os seus olhares da “passerelle”, onde outra dançarina fazia pela vida, embora sem a audiência desejada.

Ele tentava perceber como estava a sala, quando a sua vista passou a estar obstruída… pelo corpo de Mia, a qual, entretanto, começara a dançar em pé, a poucos centímetros da cara dele. Com ele ainda meio em transe, e quase afundado no sofá, como se fosse adiando um contacto físico que, no entanto, sabia ser inevitável, eis que ela sobe com os pés para o sofá e começa a dançar, fazendo o seu sexo roçar ostensivamente e de forma cada vez mais demorada na cara dele.

Pelo canto do olhar, ele confirmara que já ninguém, entretanto, seguia o show da bailarina que dançava estava na “passerelle” e nem mesmo os exercícios no varão ou na argola pareciam cativar os que lhe estavam mais próximos. “Ela vai desfazê-lo”, comentou um dos outros clientes, para o resto dos amigos de uma das mesas mais próximas. E mais espantados ficaram quando a viram pegar no cinto dele, dá-lo para a mão e desafiá-lo, de rabinho a apontar para o tecto: “Quer experimentar?”

Entretanto, a vista desafogara por segundos (não que a mesma não fosse excelente, note-se). Mia estava virada de costas, mas esfregando o seu traseiro na cara dele ao ritmo de “What Goes Around… Comes Around” de Justin Timberlake, enquanto procurava o copo do sumo natural dele para lhe retirar o gelo e colocá-lo boca do coitado do homem, que entretanto passou a ficar com a língua gelada de tanto aguentar um cubo de gelo com a… ponta. Mia volta a virar-se de frente, entorna sumo de laranja sobre o seu peito e segreda-lhe muito rapidamente: “Não quer vir beber seu sumo?”. Acto contínuo, inclina-se para frente, procurando que os seus firmes mamilos encontrassem a língua dele. O que não foi muito difícil. Após mais alguns segundos de carícias e delícias entre seios, a “lap dance” chegou ao fim.

Mia faz sinal que vai vestir-se e retira-se. Entretanto, uma das amigas vira-se para ele e, com um ar malicioso, mas com um tom angelical, pergunta se ”o suminho estava bom?”, ao que ele ripostou. “Estava, pois. Estava tão bom que eu não queria desperdiçar nenhuma gota”. Dois ou três minutos depois, Mia senta-se novamente à mesa e, fazendo questão que as outras duas presentes ouvissem, vira-se para ele, apontando o dedo e comentando: “Gato, você me enganou! Você me enganou!"”

Aí, sinceramente surpreso, por não estar a perceber nada, ele respondeu: "Eu? Mas eu nem sequer lhe disse nada! Se alguém a enganou, não fui eu, foram as senhoras". Mia continuou: "Elas me disseram que era a primeira vez que vinha aqui e que você era um rapaz tímido".

Ele encolheu os ombros e, logo de seguida, uma das amigas segreda-lhe ao ouvido: "A minha amiga disse-lhe isso e, por isso, pediu para que a Mia te arrasasse… e, pelo que vimos, tu é que arrasaste a rapariga e nem levantaste um dedo..." Ele, continuando sem cinto e casaco e de mãos apoiadas no sofá, talvez ansiando por mais momentos assim, limitou-se a encolher os ombros e a sorrir matreiramente. Virando-se para Mia, ele esclareceu-a: “É, de facto, a primeira vez que aqui venho… Se sou tímido ou não… Tenho os meus dias”.

Sem se deter, Mia recomeça as perguntas: "Você é fogo, rapaz... Para tímido, enganou muito bem. Qual é seu signo, mesmo? Deixe adivinhar: É de um signo muito sexual… Será escorpião?". Ele, tentando contornar a pergunta, por não ser propriamente entendido ou fã do tema, retorquiu: "Não sou nada fogo. Eu até tinha a língua gelada... Escorpião? Ora, eu não acredito nessas coisas dos signos… Vocês, mulheres, é que ligam muito a isso".

Mas Mia insistiu: “Não negue. Você é escorpião. Por trás dessa cara de menino, está um gato safado. Olhe que você, para primeira vez, estava muito controlado mesmo... Parecia que tinha muita experiência nestas coisas, com outras mulheres..." Ele sorriu e pensou uns instantes na forma como agradecer o que considerou ser um elogio: “Com mulheres, sim. Nestas coisas, é que não. Mas obrigado... É sempre bom saber que se consegue ter jeito para estas coisas sem usar as mãos”.

Cumpridos uns minutos desta troca de galhardetes, uma das amigas vira-se para ele e diz: “Agora que já tiveste os teus 15 minutos de fama, é a nossa vez. Fica aí e vê as outras raparigas”. E eis que se levanta, juntamente com Mia e a outra amiga e se dirigem as três à zona de privados. Sozinho ali quase cerca de meia-hora, ele bem tentava assimilar o que lhe tinha acontecido nas últimas pouco mais de duas horas e não fosse ter ainda a sua camisa molhada e peganhenta de sumo de laranja, talvez não acreditasse no que estava a viver.

Matutava ele nas suas ideias quando as duas amigas se voltam a sentar à mesa, visivelmente descompostas e com respirações ofegantes. “Foi por terem sido bem mais que 15 minutos de fama que ficaram assim, cansaditas?”, atirou ele. “Calma, deixa-nos recuperar o fôlego…”, respondeu uma delas, ao que ele disparou logo: “… Para…?”. Sem se descoserem, responderam as duas quase em simultâneo: “… te levarmos a casa”.

No regresso a sua casa, ele comenta: “Eu tenho de pagar a minha parte de alguma forma. É o mínimo". Elas ouvem e não respondem. Chegado ao seu bairro, despediram-se, com promessa de novo encontro em breve, e ele subiu. Menos de cinco minutos depois, liga uma delas e diz: "Achamos, que, de facto, podes pagar. Aliás, como te portaste mesmo muito bem, vais pagar". Ele, com o ar mais sério do mundo e com um pensamento inocente, respondeu: "Deixem-me vestir, que já vou ai ter convosco e vamos ao Multibanco, aí no cimo da rua". Ao que, ripostou a outra voz em fundo: "Coitadinho... Se já está despido, vamos poupar-lhe o incómodo de se vestir. Ele lá arranjará forma de pagar”.

Será que ele pagou tudo de uma vez… ou passou a ser uma conta corrente? E terá tudo isto acontecido ou terá sido somente fruto da sua imaginação?

2 comentários:

Anónimo disse...

Grande by the way. Revi-me na parte do "gato safado", até por ter dois felinos aqui deitados na secretária, mas achei mal as simpáticas amigas não te terem levado para o "private". Perdão, o protagonista da fantasia. Nada que uma "conta corrente" duplamente recheada não mitigue. Aguardaremos por novas aventuras. Abraço.

Anónimo disse...

Interessante...