4 de abril de 2008

Melancolia After All This Time

Melencolia (Albrecht Dürer)


E porque um blog também pode ser um espaço de confissões de alguém que, apesar de não revelar directamente o nome, tem consciência que a sua identidade é conhecida de algumas pessoas, aqui fica um desabafo ou um pensamento que, nos últimos tempos, tem assolado a mente deste que vos escreve.

Apesar de eu não ser um grande fã da canção de John Miles entitulada Music, devo reconhecer que os seus primeiros versos retratam bem a influência que a música tem na minha pessoa e, no fundo, na minha vida [“Music was my first love and it will be my last. Music of the future, music of the past”]. Acredito não ser, no entanto, a única pessoa que se deixa influenciar de uma forma quase absoluta por uma melodia, apenas pelos versos ou pelo todo que é uma canção (no caso de ser vocalizada).

Sou da opinião que uma boa canção não necessita apenas que a melodia fique no ouvido, mas, também, que tenha uma boa letra, a qual possa contar uma história, expressar sentimentos, pensamentos... E a verdade é que o sucesso de algumas canções ou de quem as interpreta se deve, em parte, ao que transmitem a quem as ouve. Fazem-nos lembrar algo, sentir algo, imaginar algo que gostaríamos que nos pudesse vir a acontecer, etc…

Serve esta introdução para confessar que quando tento interpretar (sim, reconheço que canto umas coisitas) ou ouvir uma canção de Simon Webbe entitulada After All This Time (cujo videoclip o visitante deste blog poderá visionar clicando no “link” existente lado direito, constante da lista No Meu Leitor ou, mais facilmente, no título da música, neste mesmo parágrafo) sou assolado por uma profunda melancolia. Não tem o ritmo de uma balada, mas não deixa de ser uma canção profundamente triste.

A letra conta a história de uma mulher que, pese embora, tenha saído de um relacionamento [“After all the broken stones that were thrown for no good reason”], com alguma (ou bastante) mágoa [“And though her heart bears the scars, no sign of healing”], ainda ama aquele homem (ou, pelo menos, gosta muito dele), embora não o queira admitir [“inside, she's loving him still after all this time”], por uma variedade de razões (sendo uma das principais o orgulho, pois admiti-lo, para mais, perante o outro ou círculo de conhecimentos comuns, faria com que pudesse perder a face). Ainda assim, sofre muito por dentro, porque ainda gosta dele, mas transmite uma imagem exterior de robustez, de uma mulher forte, orgulhosa [“Learning to barely feel the pain / linger the skin, the less the strain / And though it's really hurting, she ain't breaking, breaking, breaking”].
Ela continua a vê-lo como um rapaz que chegou a fazê-la sentir-se (feliz) como um anjo [“And behind his tired eyes, she sees the boy with his arms wide, who made her feel like an angel”], pese embora ele próprio tenha, no entender dela e segundo o próprio o reconhece, alguns defeitos [“Now he knows, his weakness shows selfish soul, never changing”], ainda assim insuficientes para que ela deixe de gostar dele [“Oh that's why she's loving him still for the rest of her life. She's loving him still for the last of many miles. She's loving him still after all this time”].

Quem não conhece situações como esta, cantada por Simon Webbe (seja exactamente assim, com uma mulher no centro da narrativa, ou na inversa)? Este que vos escreve conhece, pelo menos, uma história assim. Talvez um dia, mesmo que seja depois de muito tempo, essa, tal como todas as histórias semelhantes, venha a ter um final feliz.


"After All This Time"
(Simon Webbe)

After all the broken stones
that were thrown for no good reason,
inside, she's loving him still
after all this time

And though her heart
bears the scars, no sign of healing,
it's all right, she's loving him still
after all this time.

Oh yeah

[Chorus:]
Trying to push the past away,
still waiting for the lights to change.
Try, try for the sake of their pride, pride.
Learning to barely feel the pain,
linger the skin, the less the strain.
And though it's really hurting,
she ain't breaking, breaking, breaking
'cause she's loving him still,
after all this time

Now he knows, his weakness shows
selfish soul, never changing.
That's fine, because she's loving him still
after all this time

And to the outside eye
you see a family getting by.
And it all seems perfect
and that's how she wants it
'cause she's loving him still,
after all this time.

[Chorus]

After all this time...
After all, after all, after all this time

Bones have to grow, and age it shows,
though we try and hide it.
Inside, she's loving him still
after all this time

And behind his tired eyes,
she sees the boy with his arms wide,
who made her feel like an angel.
Oh that's why she's loving him still
for the rest of her life.
She's loving him still
for the last of many miles.
She's loving him still
after all this time

1 comentário:

QuartoCrescente disse...

Pois é... existem músicas, canções que nos marcam, marcam uma época, um acontecimento... costumo pensar quando leio livros ou letras de canções ou vejo filmes que relatam situações semelhantes a ocorrências na minha vida que no fundo não estou só. Cada ser humano tem o seu trajecto cada ser humano é único, mas no fundo todos os seres humanos têm muito em comum. É pena existirem tantas faltas de comunicação, pouca flexibilidade, pouca compreensão porque se formos a ver de uma forma ou de outra todos passamos por experiências muito semelhantes. Daí se escreverem tantas coisas que, sempre de alguma forma nos tocam. Sempre nos revemos em alguma coisa... nem que seja numa pequena estrofe de um poema. Existem muitas formas de sentir mas todas elas vão sempre dar ao mesmo.Somos todos humanos Ha que haver capacidade de aceitação pelo nosso semelhante e sempre lhe dar oportunidade de se explicar. Muitas vezes fazemos filmes, julgamos os outros segundo a nossa maneira de ser, queremos transformar os outros à nossa imagem e semelhança e nada disso conduz a lado nenhum e é uma verdadeira injustiça Criar expectativas acerca de alguém é uma tremenda ilusão. Mudar alguém, mudar o mundo é impossivel mas sempre podemos fazer ajustes de modo a conviver com alguém tão diferente de nós mas tão igual na sua condição de humano...
Beijo