
I’m Not There. É assim o título de um dos mais recentes filmes a terem entrado nas salas de cinema portuguesas, que aborda, de uma perspectiva original (mais concretamente em seis perspectivas) a obra e a pessoa de Bob Dylan, uma das figuras mais incontornáveis do panorama musical no século XX.
I’m Not There é uma tentativa de considerar as contradições de Bob Dylan apresentando-o como alguém que se foi forjando através de contradições ao longo do percurso de vida. Talvez seja mesmo a única forma de fazê-lo. Caso se fizesse um biópico com Dylan sempre interpretado pelo mesmo actor, poderia tornar-se no retrato de um esquizofrénico com várias facetas. Ainda assim e mesmo com vários Dylan’s, o público – principalmente o que não conheça a obra (e, principalmente, a vida) do “cantautor” a fundo - sente-se algo confuso ao início (como aconteceu comigo) e mesmo perdido. Todd Haynes, o realizador, optou por ter seis actores a interpretarem outros tantos Dylan’s ou Dylan nas várias facetas aqui apresentadas. Há, portanto, tantos Dylan’s que é difícil distinguir aqueles que admiramos ou apenas simpatizamos dos que não caem nas nossas graças.
I’m Not There explora, também, os Dylan’s que o consagrado Martin Scorsese deu a conhecer no documentário No Direction Home. Todd Haynes consegue a proeza de dar alguma consistência e fio condutor comum ao filme escolhendo seis actores bem diferentes para seis (mais um) Bob Dylan’s (o facto de o verdadeiro nome deste ser Robert Allen Zimmerman faz com que os “heterónimos” comecem a surgir ainda antes do próprio filme). Há o Dylan que afirma ser Woody Guthrie (interpretado pelo jovem Marcus Carl Franklin); outro é Jack (interpretado por Christian Bale), um cantor folk de Greenwich Village; outro é Robbie (uma das últimas personagens interpretadas pelo malogrado Heath Ledger), que aparece num filme de Hollywood, assenta, casa e tem filhos; um quarto Dylan “é“ Jude (superiormente interpretado pela fantástica Cate Blanchett), o herói que alienou os seus fãs ao mudar da guitarra acústica para a eléctrica e do folk para o folk rock; o quinto Dylan é um actor (Richard Gere) que apareceu num “western” sobre Billy The Kid; o sexto é um Dylan bastante filosófico (e com pose muito "artsy", interpretado por Bem Whishaw) submetido a uma interessante entrevista sobre a sua carreira. E há o “sétimo” Dylan (quando o primeiro, Jack, - Christian Bale - se transforma n’), o Pastor Jack, um “born-again Christian” (tal e qual o actual Presidente dos EUA, George W. Bush).
Menção ainda para os desempenhos de Julianne Moore (cuja personagem, Alice Fabian, representa a cantora folk Joan Baez, a qual terá aberto várias portas no início da carreira de Dylan, mas que, posteriormente, se sentiu traída por este), Charlotte Gainsbourg (que interpreta Claire, por muitos considerada uma alter-ego da primeira esposa de Dylan) e Bruce Greenwood (que interpreta um editor de arte da BBC, que entrevista – e atormenta – Jude).
Até o título do filme é feliz. É que ele – enquanto Bob Dylan - não está lá. Ou está… várias vezes. Ou… erm… Bolas! Façam um favor e vão ao cinema. E perceberão isso (ou não).
P.S. – Se forem necessários indicadores ou os que me lerem ligarem a estas coisas, I'm Not There recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza. Blanchett recebeu o Globo de Ouro para Melhor Actriz Secundária e o Prémio de Melhor Actriz em Veneza.
I’m Not There é uma tentativa de considerar as contradições de Bob Dylan apresentando-o como alguém que se foi forjando através de contradições ao longo do percurso de vida. Talvez seja mesmo a única forma de fazê-lo. Caso se fizesse um biópico com Dylan sempre interpretado pelo mesmo actor, poderia tornar-se no retrato de um esquizofrénico com várias facetas. Ainda assim e mesmo com vários Dylan’s, o público – principalmente o que não conheça a obra (e, principalmente, a vida) do “cantautor” a fundo - sente-se algo confuso ao início (como aconteceu comigo) e mesmo perdido. Todd Haynes, o realizador, optou por ter seis actores a interpretarem outros tantos Dylan’s ou Dylan nas várias facetas aqui apresentadas. Há, portanto, tantos Dylan’s que é difícil distinguir aqueles que admiramos ou apenas simpatizamos dos que não caem nas nossas graças.
I’m Not There explora, também, os Dylan’s que o consagrado Martin Scorsese deu a conhecer no documentário No Direction Home. Todd Haynes consegue a proeza de dar alguma consistência e fio condutor comum ao filme escolhendo seis actores bem diferentes para seis (mais um) Bob Dylan’s (o facto de o verdadeiro nome deste ser Robert Allen Zimmerman faz com que os “heterónimos” comecem a surgir ainda antes do próprio filme). Há o Dylan que afirma ser Woody Guthrie (interpretado pelo jovem Marcus Carl Franklin); outro é Jack (interpretado por Christian Bale), um cantor folk de Greenwich Village; outro é Robbie (uma das últimas personagens interpretadas pelo malogrado Heath Ledger), que aparece num filme de Hollywood, assenta, casa e tem filhos; um quarto Dylan “é“ Jude (superiormente interpretado pela fantástica Cate Blanchett), o herói que alienou os seus fãs ao mudar da guitarra acústica para a eléctrica e do folk para o folk rock; o quinto Dylan é um actor (Richard Gere) que apareceu num “western” sobre Billy The Kid; o sexto é um Dylan bastante filosófico (e com pose muito "artsy", interpretado por Bem Whishaw) submetido a uma interessante entrevista sobre a sua carreira. E há o “sétimo” Dylan (quando o primeiro, Jack, - Christian Bale - se transforma n’), o Pastor Jack, um “born-again Christian” (tal e qual o actual Presidente dos EUA, George W. Bush).
Menção ainda para os desempenhos de Julianne Moore (cuja personagem, Alice Fabian, representa a cantora folk Joan Baez, a qual terá aberto várias portas no início da carreira de Dylan, mas que, posteriormente, se sentiu traída por este), Charlotte Gainsbourg (que interpreta Claire, por muitos considerada uma alter-ego da primeira esposa de Dylan) e Bruce Greenwood (que interpreta um editor de arte da BBC, que entrevista – e atormenta – Jude).
Até o título do filme é feliz. É que ele – enquanto Bob Dylan - não está lá. Ou está… várias vezes. Ou… erm… Bolas! Façam um favor e vão ao cinema. E perceberão isso (ou não).
P.S. – Se forem necessários indicadores ou os que me lerem ligarem a estas coisas, I'm Not There recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza. Blanchett recebeu o Globo de Ouro para Melhor Actriz Secundária e o Prémio de Melhor Actriz em Veneza.
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