Melhor que os GNR só mesmo os GNR mais a GNR. Com efeito, o Grupo Novo Rock e a banda sinfónica da Guarda Nacional Republicana ofereceram aos cerca de dez mil espectadores que se deslocaram ao Pavilhão Atlântico um dos mais originais e singulares espectáculos da música portuguesa. E o mínimo que se pode dizer é que não defraudou as expectativas. E este que vos escreve não podia faltar a um evento que, dadas as dificuldades logísticas e de agenda das duas bandas, corre o risco ter sido o único. E foi mesmo único.
O concerto começou com a Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana a mostrar um tema do seu repertório habitual. Pois dificilmente seriam 115 músicos (entre os quais apenas uma senhora, mais concretamente uma flautista) e respectivo maestro a entrar em palco com o concerto já em andamento. A banda de Rui Reininho apenas momentos depois entrou em cena e logo com um tema dos mais antigos, Espelho Meu. Seguiu-se, porventura, o melhor conseguido arranjo de todos os 17 efectuados por vários maestros e músicos. Popless até com toda a pompa conferida pela Banda Sinfónica da GNR manteve aquela batida insinuantemente sensual, à qual muito ajuda a fantástica letra de Rui Reininho sobre uma menina que sabe que é boa e que por onde passa nem relva cresce. De facto, Popless destacou-se tanto entre as demais canções que foi das que ficaram guardadas para os encores, juntamente com Asas (Eléctricas) talvez precisamente pela mesma razão, e a inevitável Dunas, há muito transformada em “hino” oficioso do trio portuense.
Popless deu início à série de temas que lançaram o concerto para um público curioso e que se rendeu ao encanto da solenidade do momento sem que o “one man show” Reininho tivesse precisado muito de se aplicar para o conseguir. Aliás, o vocalista pareceu até demasiado sombrio e menos comunicativo do que habitual (excepção feita à dedicatória de Quero Que Tudo Vá Para O Inferno “ao defesa do Fenerbahçe, Roberto Carlos”, por ser homónimo do homem que notabilizou o tema, e a uma ou outra ocasião pontual). Boa parte das expensas ficaram a cargo de Jorge Romão, que se chegava à frente e mesmo ao microfone e se punha aos saltos a puxar pelo público. Mais Vale Nunca, com o seu ritmo contagiante, Pronúncia do Norte pela beleza intrínseca da melodia (e letra) mas sem Isabel Silvestre, Efectivamente e Bellevue, ambos dos tempos em que Rui Reininho, Jorge Romão e Toli César Machado esgotaram o Estádio de Alvalade como cabeças de cartaz, levaram o público ao rubro, também mercê da excelência dos arranjos e das respectivas interpretações.
O clássico Hardcore (1º Escalão), a balada Tirana e o insinuante Dama Ou Tigre constituíram a ponte para o crescendo e apoteose finais. Asas (Eléctricas) reconquistou o público (fantástico momento da secção de sopros da GNR e notáveis solos de guitarra), que começou a saltar com o festivo Sexta-Feira (Um Seu Criado) (“Aqui… e em Portugal continental, pelo menos, durante mais uns momentos é… sexta-feira”, lançou Reininho), manteve-se animado com Sangue Oculto e vibrou ainda mais com Vídeo Maria e Morte Ao Sol (outros dois excelentes arranjos e este último “um dos temas preferidos do nosso maestro”). Quero Que Tudo Vá Para O Inferno e Sub-16 fecharam um concerto onde não foi raro ver os músicos da banda sinfónica da GNR baterem o pé, palmas, abanarem a cabeça ao ritmo dos temas ou mesmo a trautearem as canções.

Dunas, mesmo com um arranjo que não deixava antever o mais conhecido tema dos GNR, não podia faltar e surgiu como o primeiro dos encores. Popless e Asas (Eléctricas) foram os únicos temas repetidos, mas a excelência dos arranjos e respectivas interpretações tornaram-nos em dois dos melhores momentos da noite.
Dunas, mesmo com um arranjo que não deixava antever o mais conhecido tema dos GNR, não podia faltar e surgiu como o primeiro dos encores. Popless e Asas (Eléctricas) foram os únicos temas repetidos, mas a excelência dos arranjos e respectivas interpretações tornaram-nos em dois dos melhores momentos da noite.
Mesmo apesar da relativamente estranha apatia de Reininho, tratou-se de um excelente concerto, que não defraudou as expectativas e que, no seu rescaldo, levou o maestro tenente-coronel Jacinto Montezo a mostrar receptividade quanto a um possível alargamento do espectáculo a outros palcos espalhados pelo país e eventualmente com mais temas.
Entretanto, o espectáculo foi gravado pela RTP e será exibido em breve. Estará igualmente disponível no futuro em DVD e CD.
Alinhamento
Espelho Meu
Popless
Mais Vale Nunca
Pronúncia do Norte
Efectivamente
Bellevue
Hardcore (1º Escalão)
Tirana
Dama Ou Tigre
Asas (Eléctricas)
Sexta-Feira (Um Seu Criado)
Sangue Oculto
Vídeo Maria
Morte Ao Sol
Quero Que Tudo Vá Para O Inferno
Sub-16
Encores
Dunas
Popless
Asas (Eléctricas)
Dunas
Popless
Asas (Eléctricas)
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